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Santa Casa de Limeira celebra 30 anos da UTI Neonatal com cerca de 5,4 mil bebês atendidos
Criada em 1996 para suprir a falta de assistência especializada a recém-nascidos graves, unidade superou desafios, acompanhou a evolução da medicina e se consolidou como referência para 26 municípios da região, da DRS-10 de Piracicaba
Publicado em 26/10/2026 14:37
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Há 30 anos, a inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Santa Casa de Limeira representou um marco para a assistência aos recém-nascidos da cidade e região. Criada em 1996 para atender bebês prematuros e em condições clínicas graves, a unidade chega às três décadas de funcionamento com estimativa de 5,4 mil bebês atendidos e uma trajetória marcada pela superação de desafios, pelos avanços da medicina e pela dedicação de gerações de profissionais.

Antes da implantação do serviço, a assistência neonatal enfrentava limitações estruturais e tecnológicas. Recém-nascidos que necessitavam de cuidados intensivos frequentemente precisavam ser transferidos para hospitais de outros municípios, em deslocamentos que representavam riscos adicionais. A criação da UTI Neonatal, por iniciativa de uma equipe multiprofissional e com o apoio da instituição, ampliou as possibilidades de atendimento especializado e marcou o início de uma nova etapa na assistência hospitalar.

Os primeiros anos, entretanto, foram desafiadores. Em uma época em que a neonatologia intensiva ainda estava em expansão, encontrar médicos e profissionais de enfermagem com formação específica era uma dificuldade. A equipe pioneira precisou enfrentar a escassez de especialistas e uma rotina intensa de plantões para assegurar o atendimento ininterrupto aos recém-nascidos. Ao longo das décadas, o serviço se fortaleceu, ampliou sua estrutura e acompanhou transformações que mudaram significativamente as perspectivas de recuperação de bebês de alto risco.

Atualmente, a UTI Neonatal integra um complexo assistencial com 10 leitos de terapia intensiva e oito de cuidados intermediários. Referência para 26 municípios da região de Piracicaba, da DRS-10, a unidade registra, em média, 24 internações mensais. Entre 70% e 80% dos pacientes são prematuros ou recém-nascidos de baixo peso. Os demais são bebês nascidos a termo, mas que apresentam condições clínicas que exigem assistência especializada.

Avanços que transformaram o cuidado
A evolução da medicina neonatal é um dos capítulos mais importantes dessa trajetória. Se há três décadas as possibilidades de tratamento eram mais limitadas, atualmente a combinação de conhecimento científico, tecnologia e protocolos assistenciais permite oferecer cuidados cada vez mais especializados, inclusive a recém-nascidos extremamente prematuros.

Ao longo de sua história, a equipe já acompanhou a recuperação de bebês que nasceram pesando entre 500 e 700 gramas e conseguiram receber alta hospitalar após longos períodos de internação. O caso de maior permanência registrado na unidade chegou a oito meses, demonstrando a complexidade de tratamentos que exigem acompanhamento contínuo e dedicação prolongada dos profissionais.

Entre os avanços incorporados estão incubadoras digitais que controlam temperatura e umidade e oferecem maior isolamento acústico, contribuindo para a proteção e o desenvolvimento dos recém-nascidos. Bombas de infusão inteligentes permitem administrar medicamentos e nutrientes com precisão, enquanto sistemas de monitoramento não invasivo acompanham continuamente os sinais vitais e ajudam a reduzir a necessidade de procedimentos dolorosos.

Outros recursos também ampliaram as possibilidades de assistência, como o cateter central de inserção periférica (PICC), que permite manter o acesso venoso por períodos prolongados, e os modernos equipamentos de fototerapia LED, utilizados no tratamento da icterícia neonatal. A unidade também incorporou procedimentos especializados, como a hipotermia terapêutica, a ventilação com óxido nítrico inalatório e técnicas menos invasivas de administração de surfactante, substância essencial para o funcionamento dos pulmões de determinados recém-nascidos.

A evolução dos protocolos clínicos e o trabalho de estimulação fonoaudiológica complementam essa assistência, buscando reduzir complicações, favorecer o desenvolvimento dos bebês e minimizar os riscos de sequelas. Mais do que ampliar as possibilidades de sobrevivência, os avanços representam a busca constante por tratamentos mais seguros e menos invasivos.

Humanização e cuidado que envolvem toda a família
Paralelamente à evolução tecnológica, a UTI Neonatal também transformou sua maneira de acolher os recém-nascidos e suas famílias. Se no passado a presença dos pais era limitada por horários rígidos de visita, atualmente a unidade adota o acesso livre 24 horas por dia, reconhecendo a importância do vínculo familiar durante a recuperação.

A participação dos pais é incentivada desde os cuidados diários, incluindo momentos como o banho, o contato pele a pele e o Método Canguru. O aleitamento materno também recebe atenção especial, com o apoio do Banco de Leite Humano da Santa Casa, que atua de forma integrada à assistência neonatal.

O acolhimento se estende aos demais familiares, com iniciativas como visitas dos irmãos, celebração de datas especiais, registros fotográficos e lembranças que ajudam a preservar momentos importantes da trajetória dos bebês. A equipe de Psicologia e o Serviço Social também oferecem suporte emocional, escuta e orientação às famílias, que muitas vezes enfrentam semanas ou meses de incertezas até a alta hospitalar.

Esse cuidado humanizado busca tornar os pais participantes ativos da recuperação dos filhos, oferecendo orientação e segurança para que possam assumir gradualmente os cuidados com os bebês, inclusive após o retorno para casa.

Profissionais que constroem essa história
A trajetória da UTI Neonatal também é resultado do trabalho de uma equipe que cresceu e se especializou ao longo dos anos. Atualmente, a estrutura assistencial reúne 19 médicos, três residentes de Neonatologia, uma enfermeira supervisora, duas enfermeiras plenas, 16 enfermeiros assistenciais e 30 técnicos de enfermagem, além de profissionais de fisioterapia, psicologia, serviço social e fonoaudiologia.

Além de prestar assistência aos recém-nascidos, a unidade contribui para a formação de novos especialistas, atuando como campo de aprendizado para médicos residentes, por meio do Hospital de Ensino. A evolução do serviço acompanha ainda o compromisso institucional com a qualidade e a segurança do paciente, áreas nas quais a Santa Casa conquistou reconhecimentos ao longo de sua trajetória.

Entre os profissionais que testemunharam parte significativa dessa transformação está a enfermeira Larissa P. Lucca Cardoso, que atua na unidade desde 2002. Sua trajetória representa a experiência acumulada por profissionais que acompanharam mudanças nos equipamentos, nos protocolos e, principalmente, na maneira de cuidar dos recém-nascidos e de suas famílias.

Um compromisso que continua
Ao completar 30 anos, a UTI Neonatal da Santa Casa de Limeira também volta seu olhar para o futuro. Entre as prioridades estão a modernização contínua dos equipamentos, o aprimoramento da assistência e os projetos de reforma da unidade, com o objetivo de oferecer condições cada vez mais adequadas e seguras aos pacientes e profissionais.

Para a enfermeira supervisora da UTI Neonatal, Priscila Toledo Gullo Fernandes, a celebração representa o reconhecimento de uma história construída coletivamente, com o apoio da instituição, a dedicação dos profissionais e a confiança das famílias.

“Há 30 anos, unimos a ciência mais moderna à paixão pelo cuidado, agradecendo a cada família pela confiança e reafirmando o compromisso de toda a nossa equipe com o milagre da vida”, destaca.

Um dia de cada vez: a história de Olívia

Aos 27 anos, Isabella Ferreira de Oliveira Santiago vive uma experiência que traduz a importância do atendimento especializado e humanizado oferecido pela UTI Neonatal da Santa Casa de Limeira.

Durante a gestação da filha Olívia, Isabella enfrentou complicações que exigiram uma cerclagem de emergência na 21ª semana. Após a ruptura da bolsa, permaneceu internada por 15 dias. Olívia nasceu com apenas 23 semanas de gestação, sendo considerada uma prematura extrema. Para comparação, uma gestação é considerada a termo a partir de 37 semanas completas.

Desde o nascimento, a pequena precisou de cuidados intensivos, foi intubada e enfrentou inúmeros desafios. Após três meses de internação, conseguiu deixar a UTI Neonatal e foi transferida para a unidade de cuidados intermediários, aproximando-se da tão esperada alta hospitalar.

“Os médicos sempre disseram que era um dia de cada vez. E realmente é isso, vivemos um dia de cada vez”, relata Isabella.

A mãe conta que, mesmo diante dos riscos e das incertezas, encontrou segurança na assistência e no acolhimento dos profissionais. Para ela, a empatia das equipes médicas e de enfermagem fez diferença durante os momentos mais difíceis.

“Para a equipe da UTI Neo só tenho a agradecer. Sabemos que é o trabalho deles cuidar, mas o carinho genuíno é extremamente gratificante”, afirma.

Agora, com a expectativa de levar a filha para casa, Isabella resume a emoção de ver Olívia superar mais uma etapa: “Pertinho da porta para ir para casa. Já estamos sentindo o cheirinho da alta”.
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