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ARTIGO: Nem toda tristeza é depressão, mas todo sofrimento merece atenção
Por Aníbal Olivan Filho, médico psiquiatra e professor da Mandic Limeira
Publicado em 10/09/2026 14:29
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Há sentimentos que fazem parte da vida e que não precisam ser transformados em doença. A tristeza é um deles. Perdemos, nos frustramos, enfrentamos mudanças, despedidas e dias difíceis. Em algum momento, todos nós vamos sentir que a vida pesa um pouco mais.

 

O problema começa quando esse estado deixa de ser passageiro e passa a ocupar um espaço cada vez maior na vida. A depressão não é simplesmente estar triste. É uma doença que pode alterar a maneira como a pessoa se relaciona consigo mesma, com os outros e com aquilo que antes lhe despertava interesse e prazer.

 

Na prática clínica, alguns sinais merecem atenção, como tristeza persistente, perda de interesse pelas atividades, alterações no sono ou no peso, falta de energia, sentimentos de culpa ou inutilidade, dificuldade de concentração e pensamentos recorrentes sobre a morte. Mais do que um sintoma isolado, é preciso observar uma mudança no funcionamento habitual da pessoa e o impacto desse quadro em sua vida.

 

A tristeza, portanto, não deve ser vista como algo a ser eliminado. Ela faz parte da experiência humana e, diante de uma perda, uma frustração ou uma dificuldade, é natural que apareça. Aos poucos, espera-se que a pessoa consiga elaborar o que aconteceu e retomar a rotina. Quando isso não acontece, quando a tristeza persiste e começa a comprometer o cotidiano, é preciso olhar para essa mudança com mais atenção. É nesse momento que pode estar a depressão.

 

O desafio é que nem sempre quem sofre consegue perceber essa transformação. Muitas vezes, familiares e amigos notam primeiro o isolamento, a perda de interesse, a falta de vontade e a mudança no comportamento. Quando alguém deixa de ser como era, esse sinal não deve ser ignorado. Uma conversa aberta e acolhedora pode ser o primeiro passo para que essa pessoa aceite ajuda.

 

E não é preciso esperar que o sofrimento se agrave para buscar orientação. Diante de sintomas persistentes ou mesmo de uma dúvida, a avaliação de um profissional qualificado pode ajudar a compreender o que está acontecendo e indicar o tratamento mais adequado. A depressão tem tratamento, mas não existe uma fórmula única. Medicamentos e psicoterapia podem ser indicados isoladamente ou em conjunto, de acordo com as características e necessidades de cada paciente.

 

Neste Setembro Amarelo, falar sobre prevenção do suicídio também significa falar sobre aquilo que vem antes do silêncio absoluto. Frases como “não aguento mais”, “a vida não tem sentido” ou “não vejo graça em mais nada” não devem ser tratadas como exagero ou tentativa de chamar atenção. Diante de uma dúvida é importante perguntar, ouvir e buscar ajuda profissional.

 

Cuidar da saúde mental também é reconhecer limites. Precisamos entender que pedir ajuda em um momento difícil não é sinal de fraqueza. É, antes de tudo, um ato inteligente.

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